Mali: a missão mais perigosa e poderosa da ONU.

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Mali: a missão mais perigosa e poderosa da ONU.

Mensagem por Cimberley Cáspio em Qua 7 Mar - 10:17

Por Mar Pichel - BBC - reproduzido e editado p/Cimberley Cáspio

"O Mali é um país crítico, é o mais frágil, com um norte fundamentalmente árabe, touareg, e um sul principalmente de populações negras, animistas cristãos. É um país claramente muito dividido, com fronteiras que são produto da descolonização", explica o coronel Ignacio Fuente Cobo, analista do Instituto Espanhol de Estudos Estratégicos (IEEE), ligado ao Ministério da Defesa da Espanha.

É lá que as Nações Unidas operam, por meio da Missão Multidimensional de Estabilização Integrada das Nações Unidas no Mali (Minusma), criada em 2013 para apoiar as autoridades malinesas na pacificação do país após uma série de rebeliões islâmicas e um golpe de Estado em 2012.

Trata-se da missão mais poderosa da ONU, com cerca de 13 mil soldados, mas que também é muito atacada por grupos jihadistas. Trata-se de uma das missões mais perigosas do órgão em décadas, com mais de 115 capacetes azuis mortos em quatro anos.



Direito de imagem - GETTY IMAGES - Image captionUm total de 115 soldados da ONU morreram em quatro anos atacados por grupos jihadistas

Do outro lado, está a Operação Barkhane, uma missão puramente antiterrorismo realizada pela França. Envolve cerca de 3 mil soldados distribuídos em uma série de fortes, da Mauritânia ao Chade, "tentando criar uma espécie de barreira para que os jihadistas não se movam facilmente entre o norte e o sul do do Sahel - basicamente, um mix de problemas. Não à toa é chamado de "cinturão da fome" africano".



Direito de imagem - GETTY IMAGES - Image captionCerca de 3 mil soldados franceses estão no Sahel para a Operação Barkhane

Conflitos, pobreza, crime organizado e extremismo coexistem nessa faixa de 5 mil km que atravessa o continente, indo do oceano Atlântico, a oeste, ao Mar Vermelho, no leste, e serve como transição entre o deserto do Saara e a savana africana.

E nos últimos anos, outro problema agitou ainda mais esse vespeiro: a Líbia.

Os esforços estão focados em evitar que a zona, principalmente o Mali, se torne um reduto extremista. Mas o desafio militar, devido à grande e complexa geografia, é enorme.

No Mali, a situação é agravada pelo terrorismo internacional e o crime organizado, já que a região converge rotas de tráfico ilegal de todos os tipos - de drogas a pessoas e armas camufladas entre fronteiras porosas e áreas em que a presença do Estado não existe.

Agora existem dois fatores que estão aumentando a tensão e o medo:  um buraco muito importante que se abriu nessa região, que é a Líbia, um país que ninguém controla.

O jihadismo islâmico se move de maneira muito confortável em toda a região. A al-Qaeda no Magrebe Islâmico (AQMI) está presente na área - principalmente na Argélia, no Mali, na Mauritânia e no Níger - desde 2007.  Também o Boko Haram, que foi fundado em 2002 e há vários anos opera em partes da Nigéria, no Níger, no Chade e Camarões, da mesma forma que acontece com a Al Shabaab na parte oriental, principalmente na Somália.

E estes são apenas alguns exemplos de grupos que chegaram às manchetes após perpetrarem ataques sangrentos. Muitos outros também operam na região. Ou seja, a ameaça não é nova ou desconhecida para os países europeus.

Por meio desse grande buraco, a Líbia, muitos dos problemas estão chegando ao território europeu, além de permitir um movimento significativo de mercenários e armas da Líbia para o sul, alimentando os grupos jihadistas que atuam na região.

Muitos desses combatentes são integrantes do grupo autodenominado Estado Islâmico (EI) derrotados na batalha ocorrida na cidade líbia de Sirte em 2016. E agora, teme-se que os derrotados na Síria e no Iraque também busquem se estabelecer na região.

"Uma das grandes preocupações, ainda que não tenhamos dados confiáveis, é que possa se tornar uma nova área segura (para extremistas), uma espécie de novo Afeganistão, mas muito mais próximo das fronteiras europeias", diz Fuente Cobo.

Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/internacional-42996119
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